A cadeia produtiva do mercado de eventos corporativo movimenta bilhões de reais por ano e este número tende a crescer cada vez mais na medida em que a mídia tradicional perde espaço na cabeça do consumidor. Este é um fenômeno irreversível. O consumidor não quer mais ser “interrompido” e, com o advento da internet, tem mil maneiras de não sê-lo. Às empresas resta “fisgar” o consumidor em outras circunstâncias e a realização de um evento é uma das melhores maneiras de fazê-lo.

Passemos a analisar a cadeia produtiva do mercado de eventos e a força de cada um dos elos desta cadeia.
topoNo topo estão as empresas que realizam os eventos. Elas tem o dinheiro, o famoso “budget” para realizar os eventos. É inquestionável quem tem o poder nesta cadeia. Vejamos agora como este poder desce pela cadeia.
cadeiaNo meio da cadeia estão as agencias de eventos, que fazem a intermediação entre as necessidades de realização de eventos dos clientes e os fornecedores do mercado de eventos. O poder das agências, assim como sua localização na cadeia, é médio. Elas são pressionadas pelos clientes a trabalhar com um budget reduzidíssimo, vêem suas comissões (a remuneração pelo seu trabalho) ficarem cada vez menores – já foi 20%, passou para 15% e hoje está em 7-8% na média. A pressão não se resume ao comissionamento. Os clientes abusam do poder que tem. Colocam agências demais em cada concorrência, muitas vezes as deixam “no escuro” com relação ao budget que tem para determinado job, não informam quais agências estão no páreo e muitas vezes não dão nem um feedback sobre o resultado da concorrência. E o que é pior, chegam a obrigar as vencedoras a usar elementos das propostas das perdedoras.  Como as agências gastam dinheiro (investimento em criação, desenvolvimento de protótipos, etc) para participar das concorrências, elas não olham com bons olhos estas práticas dos clientes. Só que em tempos bicudos, “fala quem quer, obedece quem tem juízo”.
Nova-logo-AMPRO   As agências vem percebendo que nenhuma delas, individualmente, consegue alterar o balanço de forças nas negociações com os clientes. E tem se movimentado bastante no âmbito da AMPRO, a associação das agências de marketing promocional (originalmente), ou de eventos, ou de “live marketing”, como elas preferem ser chamadas hoje em dia. Recentemente participamos de uma reunião do comitê de relações sustentáveis da AMPRO onde os fornecedores do mercado de eventos estavam reunidos com o “presidente” do comitê, Ronaldo Ferreira, que é sócio de uma agência, para discutir de que maneira a implementação de um código de conduta proposto pela AMPRO para agências e clientes impacta o mercado dos fornecedores de eventos. Foi uma reunião muito interessante, que começou com a escolha de valores compartilhados e seguiu com a exposição detalhada da cartilha elaborada pela AMPRO com as melhores práticas a serem adotadas. A cartilha é muito interessante, e talvez mereça ser objeto de outro post, mas o que mais me chamou atenção na reunião foi a falta de representatividade, de associativismo, do elo mais “fraco” da cadeia: os fornecedores do mercado de eventos. Ora, os clientes, já sabemos, tem a força do dinheiro. E além disso, estão reunidos em associações super estabelecidas e com bastante poder, como é o caso da ABA (Associação Brasileira de Anunciantes). Assim como todos os brasileiros, estão enfrentando seus desafios, mas na cadeia dos eventos, que é o objeto da nossa conversa, estão muito bem posicionados, obrigado. As agências, que enfrentam desafios talvez ainda maiores que os clientes, estão se organizando na AMPRO, discutindo seus problemas, buscando maneiras de se fortalecer junto a seus “predadores” (reparem as aspas, por favor): os clientes. fornecedoresE os fornecedores, os mais prejudicados pelo poder exercido pelos clientes e pelas agências, muitos dos quais pouco capitalizados, dependentes de mão de obra informal, sem acesso à crédito, enfrentam a crise que assola o país de peito aberto, com pouco ou nenhum poder de barganha nas negociações com os elos superiores da cadeia, e pior do que tudo, sozinhos, pois não conseguiram até hoje, com algumas raras exceções, se organizar em associações que represente seus interesses. Está na hora de mudar isso.
Veja a entrevista que fizemos com Ricardo Dias, presidente da Abrafesta, alguém que está fazendo alguma coisa para mudar este quadro.
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